Théo-Filho era um dos escritores mais lidos no Brasil nos anos 20. Seus livros e crônicas, descrevendo a boemia parisiense e os vícios da elite brasileira, escandalizavam os moralistas. Consagrado muito cedo, o romancista-jornalista se voltou para o tema da praia no Rio de Janeiro. Entre 1925 e 1940, à frente do semanário Beira-Mar, Théo-Filho foi o intelectual que mais escreveu sobre assuntos balneários. Fez a apologia das banhistas, do bronzeamento, da exigüidade dos maiôs, do verão carioca, do turismo, dos esportes, do futebol na areia, dos clubes praianos e dos postos de salvamento de Copacabana, na época em que os banhos de sol se introduziam no repertório dos divertimentos ao ar livre. Théo-Filho produziu sua contribuição à praia de banhos brasileira durante uma vasta inflexão na história dos costumes, quando mudavam os padrões sociais de apreciação da nudez dos corpos, da pele morena e do calor tropical.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

76. Confissões

As praças, os parques de diversão, o escotismo, o circo e o guignol entravam na pauta do jornal praiano dedicada à proteção da infância. Com apoio dos clubes, das escolas e de outras organizações, Beira-Mar difundia o gosto pelos esportes e pela educação física, chegando a patrocinar a realização de provas e campeonatos. Após o desaparecimento de Coelho Neto, Théo-Filho se tornou o escritor brasileiro mais identificado com a apologia da vida esportiva.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

75. Infância, educação, divertimento e esporte

Enquanto Copacabana crescia na preferência dos cariocas, evidenciava-se a falta de meios de transporte público adequados ao uso balneário. Para freqüentar a linda praia, os banhistas de outros bairros do Rio de Janeiro se viam obrigados a recorrer ao “taioba”, o bonde de 2ª classe, motivo de vergonha na interpretação da “aristocracia” local, representada por Beira-Mar.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

74. Rumo à praia!

As obras da 3ª reforma dos postos de salvamento foram entregues em dois tempos: os Postos II e VI, em março de 1936; e os outros, um ano depois. Os postes de vigilância foram substituídos por modernas torres em concreto armado. Ainda que não atendesse em tudo à pauta de melhoramentos desejada pelos praianos, a Prefeitura preparava Copacabana para o turismo num aspecto essencial da praia: a segurança de seus freqüentadores.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

73. A terceira reforma dos postos de salvamento

Crescia no Rio de Janeiro o número de piscinas, em escolas, clubes e outras instituições. Em 1935, a piscina do Copacabana Palace Hotel se tornou um novo ponto de encontro mundano. Théo-Filho pensava que as piscinas, longe de competir com as praias, ajudavam a educar a população para a freqüência aos banhos de mar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

72. As piscinas e as praias

Nos Anos 30, o inferno em Copacabana, a praia paradisíaca, era, como no resto da cidade, a falta d’água. O redimensionamento demográfico carreado pela proliferação dos “arranha-céus” aumentava a demanda, produzindo, além de escassez, problemas de distribuição.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

71. Precioso líquido

A praia dos banhos de sol logo foi nacionalizada pelo país tropical. Ao desafiar a tradição da brancura da pele como sinal de distinção, o novo gosto pelo bronzeamento favorecia a afirmação da morenidade no debate sobre a identidade nacional, numa época em que os interlocutores se apoiavam em conceitos como os de “raça” e “eugenia”.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

70. O bronzeamento e o prestígio das morenas

A penetração dos banhos de sol no costume carioca se expressou na mudança do discurso dos médicos, que, na década anterior, combatiam o preconceito contra a exposição solar e, agora, na metade dos Anos 30, alertavam o público para o perigo dos excessos na busca da pele bronzeada.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

69. O abuso dos banhos de sol

Copacabana não atraía apenas um crescente número de banhistas, visitantes e moradores. Havia empresários oportunistas que tentavam se apropriar da praia, ora por meio da obtenção de monopólios na prestação de serviços balneários, ora através da usurpação do espaço praiano com veiculação de publicidade.